sábado, 15 de janeiro de 2011

Memória


Memória
Wellington Trotta

Na memória registram-se  fatos e sentimentos,
marcando a vida por segundos, minutos, horas...

A memória é um arquivo vivo do eu,
rolando no seio do interminável.

Na memória configuram-se as representações
essentes sob sínteses existeciais.

Na memória imprimi-se o devenir infurtável,
onde o tempo não existe, perdendo o sentido de juízo.

Na memória o começo morre no encontro do fim
de uma dimensão inexplorável de pulsões.

Assim, na memória só existe e vive você,
transbordando incomensuravelmente.

Minha memória será sempre subserviente
ao perfume daquela tarde intimamente viva.

Comprimida pela beleza, minha memória ficou
 asfixiada nas linhas melódicas do seu corpo.

Por tudo isso, peço ao destino que me poupe
não tirando você de minha memória.

Que tudo  perca-se ou seja subtraído, esquecido,
contanto que a misericórdia só guarde você.

 Minha memória é insuportavelmente você.

2 comentários:

Lara Amaral disse...

O que minha memória não guarda é sempre matéria para a poesia, tudo que é volátil e precisa se perder eu quero agarrar. Mas nada como o que é precioso e fi(n)ca sua bandeira em nossa mente ;)

Beijo.

Trotta disse...

Olá poetisa-musa, faço minhas as suas palavras, rs.