sábado, 25 de dezembro de 2010

Calíope

Calíope

Wellington Trotta

As ninfas são jovens e lindas donzelas
povoadoras dos bosques e campos,
personificando fecundidade e graciosidade.
Apaixonadas, raptam belos mancebos
enfurecendo os deuses presunçosos
de uma hierarquia dominante-aviltante.
Mas a grandiosidade das ninfas é corromper
a maldição da hierarquia que domina nós, os “machos”.  

As musas são as cantantes divinas que ordenam
o pensamento, a história, a eloqüência, a sabedoria,
presidindo, com suas vozes, a harmonia do universo.
São nove as musas cantoras, porém,
escolhi, para o meu deleite de amante da beleza,
Calíope por sua dignidade poética.
Ela é a representação da poesia que pariu Orfeu:
poeta, cantor e apaixonado incorrigível.

O mundo, caso fosse privado das ninfas-musas
(as mulheres de nossos dias difíceis),
estaria submerso na mais profunda promiscuidade.
O que não se faz em favor de um pedido
acalorado por um sorriso perfumado,
cujos olhos cerrados e subversores desmoralizam
esse mundo feio por não ser comandado
pelas ninfas cantantes em busca da MELODIA?

Em todas as épocas há Calíopes,
umas mais, outras menos, algumas agrilhoadas.
Por isso eu, com a autoridade dada pela loucura,
rebatizo todas as mulheres de Calíope.
Ninfas…
Musas…
Poetas…
Cantoras de noites silenciosas.

Um comentário:

Lara Amaral disse...

Ficou ótimo o texto assim. O que seriam dos poetas sem as musas, não? ;)

Beijo!