quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O nada edifica o caminho

O nada edifica o caminho.  
 Wellington Trotta
Propagada pelas ondas metálicas
Sua voz disse-me sim, suavemente.
Pensei que fosse uma peça, graça,
Contudo era afirmação de verdade
Muito esperada pelo desejo guardado
Ao longo de um tempo silencioso
Que soube, estoicamente, esperar
O momento oportuno com o cuidado
De não parecer impertinente.

Sua voz disse-me sim enquanto
O universo de sua alma submerso
Em outra dimensão dizia não.
Não sei se esse sim foi real
Ou o não uma realidade contra
O sim preso ao futuro de promessas.
Se o sim parecia real por que não racional?
Então o não poderia ser uma realidade,
Nesse caso, um simulacro inexistencial.

Sim ou não você esteve no meu mundo,
Invadindo-o sem cerimônias formais,
Apenas dominando-o e ceifando-o
Em pedaços cujas unidades até hoje,
Aturdidamente procuram sua unidade.
Mas não sei se a desejo, sinceramente.
Talvez prefiro esse estado à consistência
Metafísica de princípios a priori em que
A transcendentalidade ignora a experiência.

Se o sim foi real e a realidade foi um não,
Juro que tudo isso não tem importância
Face aos pedaços de minha alma
Penando por se encontrar em lugar
Nenhum de uma existência pobre,
Miserável e sordidamente
Alimentada por sonhos pueris.
Não sei, mas parece ser bom
Esse nada que edifica o caminho.  

2 comentários:

Lara Amaral disse...

Interessante poema! Uma passagem que confronta o real sem fugir da fantasia prazerosa da aceitação.

Beijo!

Trotta disse...

Rs, vc foi mais poética que o meu poema. Vc é especial.